9 tópicos que você nunca deve discutir no trabalho de acordo com a ciência

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Assuntos sensíveis podem aumentar o nível de estresse, gerando desgaste no ambiente profissional

Centenas de estudos de ciência comportamental mostram que as pessoas raramente entendem as verdadeiras intenções dos outros. Na verdade, a falta de comunicação acontece em casa, mesmo quando nossos entes queridos nos conhecem bem. Então no trabalho –onde os colegas só veem as superfícies de nossas personalidades– mal-entendidos estão fadados a ocorrer.

Infelizmente, mesmo um simples desacerto, apesar das boas intenções, pode significar problemas para nossos empregos e carreiras. No entanto, se alguém adicionar tópicos controversos e contenciosos à equação, as coisas podem se tornar bem mais perigosas.

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Por exemplo, a ciência comportamental nos ensina que somos todos preconceituosos e nossos preconceitos estão codificados dentro de nossas mentes de modo complicado e desgastado. Eles são codificados porque nosso cérebro corta atalhos e usa atalhos para tirar conclusões precipitadas, economizando-nos energia. E eles estão desgastados porque muitos de nossos problemas e preconceitos permanecem incontestáveis.

O efeito líquido é que o que ouvimos dos outros é digerido e entendido de forma distorcida. No entanto, há algo mais a ser observado sobre nossos cérebros: este processo de cortar atalhos, tirar conclusões precipitadas e distorcer a realidade aumenta quando nossas emoções começam a explodir.

Assim, você pode pensar em preconceitos pré-existentes como fogos de artifícios pertos de faíscas e carregados de emoções prontos para explodir. Basta um comentário errado sobre um tópico controverso para acender um incêndio que foge do controle.

Considerando tudo isso, nossa única opção é verificar nosso próprio comportamento para não agravar os preconceitos ocultos dos outros –especialmente em um ambiente profissional.

Novamente: esses preconceitos são embutidos em código e, a menos que outros os desenraizem os conscientemente, não há nada que possamos fazer para removê-los. O que podemos fazer, entretanto, é evitar tópicos polêmicos e emocionalmente perturbadores.

Claro, você pode se perguntar: “O que, então, posso discutir enquanto estou na fila do bebedouro (ou nos intervalos durante minhas reuniões de vídeo-chamadas)?”

Muitas coisas! Mas tente especialmente falar de assuntos que não são sensíveis para uma determinada pessoa e prefira temas que geram simpatia. Bons tópicos de discussão incluem, por exemplo:

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  • Trabalho e as tarefas pendentes. Afinal, é para isso que você é pago.
  • Seus animais –a menos que você não seja um dos melhores pais de pet.
  • Tópicos relacionados a crianças, mas não os filhos/sobrinhos. Em geral, as pessoas não gostam de discussões centradas nos filhos de outras pessoas. Mas ainda assim, tópicos sobre a vida escolar ou efeitos gerais sobre as crianças são aceitáveis.
  • Ciência –mas não tópicos quentes, como aquecimento global, aborto etc.
    Música e arte.
  • Tecnologia, mas não reclamando de videoconferências ou da necessidade de usá-las atualmente.
  • Alimentos e roupas –não reclame de comer ou de não comer em tal horário, e não fale de pessoas obesas. E claro, nunca abra uma cerveja ou outra bebida alcoólica no meio do trabalho.
  • Qualquer coisa que não cause sensibilidade.

No final do dia, poucos de nós são pagos para discutir tópicos polêmicos e tabus no trabalho. No entanto, a maioria de nós deve compreender o risco extremo de fazer isso.

Veja a seguir 9 tópicos que você deve evitar discutir no trabalho –seja em seu escritório, em um local remoto ou nas redes sociais do trabalho– com base na ciência:

  • Política e religião

    Este deve ser óbvio. Uma razão para fazer isso é porque as pessoas podem assumir posições controversas –especialmente em política e religião. Como resultado, alguns funcionários podem nunca concordar com seu ponto de vista, nem suavizar suas crenças, mesmo se você tiver boa base e pontos fortes em seu argumento ou até mesmo dados. Por exemplo, pesquisadores da University College London descobriram que expor as convicções políticas de alguém em um discurso faz solidificar as convicções dos oponentes. Em outras palavras: quanto mais pressionamos convicções, mais os outros recuam, mesmo que os dados estejam do nosso lado. Além disso, outras pesquisas comportamentais sugerem que debates –especialmente sobre política e religião– nos levam a julgar os outros. Mas esse julgamento dá origem a uma fraqueza mental devastadora: algo que nós, cientistas comportamentais, chamamos de ponto cego do preconceito. Em outras palavras, discutir política e religião apenas nos torna irracionais e cada vez mais cegos ao nosso próprio pensamento irracional e falta empatia.

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  • Etnia e gênero

    Discussões de etnia e gênero tendem a gerar debates políticos e religiosos ao mesmo tempo. Claro, como uma questão prática, se etnia ou gênero são problemas claros em seu local de trabalho, a intervenção de profissionais para facilitar a discussão pode ser melhor. Ao mesmo tempo, a eficácia de tais intervenções depende da imparcialidade desse auxílio e do conhecimento profissional dos métodos da ciência comportamental. Se, por exemplo, eles entrarem em uma discussão com uma visão “normativa”, acusativa ou até mesmo casual — forçando uma mente aberta–, sua abordagem pode fazer mais mal do que bem. Ao contrário, a evidência sugere que a melhor abordagem para discutir etnia e gênero é a facilitação profissional com base em fatos históricos e científicos racionais, e não opiniões ou exercícios de interação positivos.

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  • Imigração

    Inevitavelmente, a polarização em torno de imigração evoca argumentos relacionados à “segurança no emprego”. Isso traz estresse para qualquer pessoa que sinta que seu trabalho está ameaçado e, como escrevemos em outro lugar, o estresse cria uma série de outros problemas –incluindo o desempenho ruim. Assim, a menos que sua empresa lide com imigração (ou qualquer um dos tópicos acima) como parte de seu modelo de negócios –por exemplo, você processa pedidos de imigração ou ajuda imigrantes– é um tópico que deve ser evitado no trabalho.

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  • Protestos

    Protestos em todo o mundo aumentaram ainda mais em relação ao direitos de voto, descontentamento político, racial e até mesmo divisões religiosas. Obviamente, todas essas motivações carregam consigo cargas emocionais. Mas, como já dissemos, os tópicos sensíveis levam a potenciais debates acalorados, que prejudicam o desempenho dos funcionários. O que é pior, mágoas podem durar muito tempo.

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  • Sexo

    A menos que você trabalhe em uma clínica que lida com distúrbios sexuais –ou sua empresa venda produtos e serviços baseados na atividade sexual– este é um tópico polêmico a ser evitado. A ciência mostra que homens e mulheres quase nunca entendem as intenções sexuais uns dos outros da mesma maneira. Por exemplo, pesquisadores na Noruega descobriram que os homens quase sempre interpretam um relacionamento como possivelmente sexual quando as mulheres o veem como amigável. Então, as discussões sobre sexo abrem um caminho para linhas tortas e insinuações. Isso não é apenas um mal-entendido esperando acontecer, é uma maneira de ser demitido.

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  • Problemas médicos

    As pessoas nos julgam por nossa adequação física, e a pesquisas comportamentais mostram que isso se estende a como essas pessoas vêem nossa competência. Os líderes são enxergados como “líderes” quando são entendidos como fortes e fisicamente saudáveis. Assim, por indução, o compartilhamento excessivo de seus desafios médicos poderia fazer com que colegas ou superiores considerassem você incompetente e inadequado para promoção. Claro, a ressalva aqui é quando você é um líder com um histórico forte e longo de conduzir com sucesso a organização ou a equipe através de dificuldades. Nesse caso, sua saúde física não está associada a fraquezas, mas sim ao futuro da organização. As pessoas estão preocupadas porque confiam em você.

    Além disso, por esse motivo, seus deveres econômicos para com a empresa podem até exigir que você divulgue seus problemas de saúde. No entanto, isso é algo formal, algo para o RH e para o conselho da companhia –não para se discutir com seus colegas no Zoom.

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  • Problemas financeiros

    Semelhante à discussão sobre seus problemas médicos, discutir os problemas financeiros reflete mal em sua competência. Simplificando, compartilhar seus suas dificuldades com dinheiro com colegas de trabalho –que podem ganhar salários iguais ou semelhantes aos seus– torna você o principal suspeito sempre que algo de valor desaparece ou que os outros já olham preocupados para você quando cortes são feitos. De fato, em uma pesquisa com trabalhadores americanos, 52% admitiram ter roubado algo do escritório –sem contar os que não admitiram. E também, discutir seus problemas financeiros com colegas sugere que você é ruim em administrar suas finanças. E isso, por sua vez, sugere um certo grau de incompetência.

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  • Colegas de trabalho, chefes, superiores e a alta administração

    Nem é preciso dizer que o escritório não é um lugar para discutir (informalmente) sobre outras pessoas. No entanto, é exatamente o que as pessoas fazem. Claro, se surgir uma situação que exija a avaliação ou questionamento do desempenho ou comportamento de alguém, você deve insistir em discuti-lo formalmente e de acordo com a política da empresa. Além disso, não seja brusco em pedir que colegas que mencionam esses tópicos parem. Em vez disso, tente mudar suavemente de assunto. E se a pessoa não entender a dica, novamente lembre-o gentilmente, dizendo: “Temos muito trabalho a fazer”.

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  • Como os colegas de trabalho responderam à pandemia

    O medo é um grande problema hoje em dia. E, se a pandemia trouxe pouco mais de algo, é o medo nos nossos corações em milhões ou talvez até em bilhões de pessoas. Além disso, especialistas médicos dizem que o medo e a ansiedade –que levam a transtornos depressivos– podem representar uma epidemia mais perigosa e de longo prazo mais do que a própria Covid-19. Compreendendo isso, você deve reconhecer que todos vivenciam e reagem ao medo de maneiras diferentes. Para muitos, o medo cria irracionalidade. Isso os leva a congelar ou fazer coisas erráticas ou uma combinação de ambos. Na maioria dos casos, uma pessoa com medo não entende totalmente ou nem mesmo se lembra de seu próprio comportamento –mesmo quando isso resulta em problemas ainda maiores. Por todas essas razões, destacar comportamentos estranhos ou de pânico no escritório, entre colegas ou mesmo na vizinhança, é uma forma infalível de aumentar a tensão, o estresse e criar problemas.

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Política e religião

Este deve ser óbvio. Uma razão para fazer isso é porque as pessoas podem assumir posições controversas –especialmente em política e religião. Como resultado, alguns funcionários podem nunca concordar com seu ponto de vista, nem suavizar suas crenças, mesmo se você tiver boa base e pontos fortes em seu argumento ou até mesmo dados. Por exemplo, pesquisadores da University College London descobriram que expor as convicções políticas de alguém em um discurso faz solidificar as convicções dos oponentes. Em outras palavras: quanto mais pressionamos convicções, mais os outros recuam, mesmo que os dados estejam do nosso lado. Além disso, outras pesquisas comportamentais sugerem que debates –especialmente sobre política e religião– nos levam a julgar os outros. Mas esse julgamento dá origem a uma fraqueza mental devastadora: algo que nós, cientistas comportamentais, chamamos de ponto cego do preconceito. Em outras palavras, discutir política e religião apenas nos torna irracionais e cada vez mais cegos ao nosso próprio pensamento irracional e falta empatia.

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